CURSO DE ROBÓTICA ABRE PORTAS PARA JOVENS TRILHAREM UM CAMINHO DE SUCESSO

Instituição em Betim oferece aulas para jovens em vulnerabilidade social; o ensino da robótica abre os horizontes da tecnologia por meio de novas profissões

Em um levantamento realizado no último ano, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança (FBSP), Betim aparece no topo do ranking das cidades mais violentas de Minas Gerais. O município, com pouco mais de 420 mil habitantes, segundo dados do IBGE, apresenta uma taxa de homicídios de 51,5 a cada 100 mil moradores. Com a proposta de transformar a realidade de jovens que estão inseridos nesse cenário, a Instituição Social Ramacrisna desenvolve projetos culturais, educacionais e profissionalizantes.

Um dos cursos oferecidos é o ensino da Robótica Industrial. A automação e a tecnologia têm modificado o mercado de trabalho e os jovens precisam se preparar para esse novo cenário. “A transição para a quarta revolução industrial irá fechar postos de trabalho, mas naturalmente abrirá muitas e novas oportunidades de colocação. A tecnologia está abrindo um novo mundo de possibilidades, perspectivas e criatividades”, ressalta Américo Amarante, superintendente da Ramacrisna que acredita que a educação é uma importante ferramenta de transformação social.

O pensamento da Instituição vai ao encontro da pesquisa de doutorado realizada na Universidade de São Paulo (USP), em 2013. O estudo desenvolvido pela economista Kalinca Léia Becker, aponta que a cada investimento de 1% na educação, 0,1% do índice de criminalidade é reduzido. A pesquisa mostra a influência que a educação exerce no comportamento dos alunos. E a Ramacrisna ressalta a importância de gerar transformações nos jovens por meio da educação estimulando as habilidades técnicas e emocionais para a construção de uma nova realidade. “As mudanças tecnológicas fazem parte da evolução da humanidade, pois a busca do maior uso do cérebro e menos uso da força física é uma constante. E podemos fazer um paralelo com a realidade dos nossos alunos. Com informação e conhecimento, eles se distanciam dos índices de violência e são empoderados a desenvolver um discernimento maior ao lidar com os seus problemas e conflitos pessoais e profissionais. E isso é de extrema importância, já que estamos falando de jovens que são expostos a diversas situações de vulnerabilidade”, afirma Amarante ao elencar o poder de transformação que a educação pode exercer na vida das pessoas.

O curso é voltado para jovens de 16 a 25 anos com ensino fundamental completo. As aulas são de segunda a sexta, das 13h às 17h. Para oferecer o curso, a Ramacrisna recebeu patrocínio dos Rotary Club Belo Horizonte Liberdade, Purley da Inglaterra, Rouen da França, Arnhem da Holanda, Detmold da Alemanha e Fundação Rotaria, além do apoio das empresas COMAU, Belgo Bekaert e Schunk para montar um laboratório com robô industrial de última geração. Após a conclusão do curso, os jovens estarão capacitados para atuar em indústrias de alta precisão, como montadoras de automóveis, manutenção e operação de aparelhos de energia alternativa e nos equipamentos de robótica na área medicinal. Com as aulas de robótica, a Ramacrisna passa a contar com oito cursos oferecidos à comunidade: soldagem, mecânica de automóveis, eletricista de instalações, operador de computador e redes locais, audiovisual, auxiliar administrativo e bartender.

O mercado da Robótica

A Federação Internacional de Robótica (IFR, em inglês), em dados divulgados em 2015, afirma que a participação de robôs no setor industrial brasileiro ainda é pouco em comparação à ascensão tecnológica que vivemos. Os números da pesquisa mostram que há nove dispositivos instalados para cada 10 mil trabalhadores. Na Coréia do Sul, líder no segmento, são 437 a cada 10 mil. E a expectativa é que o país cresça e salte para 18 mil até o final deste ano. Por isso o curso de robótica industrial é um grande diferencial nos currículos dos jovens. “Novas habilidades e competências são desenvolvidas nesse curso, promovendo o jovem para ser inserido nas empresas, por meio da colaboração, visão de perspectiva e propósito. Atividades baseadas na rotina e na repetição passarão a ser feitas por robôs, cabendo aos novos profissionais as atividades de programação e infinitas funções como engenharia e projeto de produtos inteligentes, cientistas de dados, cientista social digital e muitas outras que ainda não conhecemos e que surgirão”, conta Amarante.

A pesquisa da IFR também aponta que quase 254 mil robôs foram comprados no mundo todo, apenas em 2015. Outro estudo, da consultoria McKinsey, afirma que 50% dos atuais postos de trabalho no Brasil poderiam ser automatizados. Ou seja, 53,7 milhões de empregos. O setor com maior percentual de empregos automatizáveis no país é a indústria, com 69%. Hotelaria e comida ocupam o segundo lugar do ranking com 63%. A consultoria ressalta que haverá uma reestruturação do ambiente de trabalho.

O estudo prevê que, entre 2036 e 2066, o mundo deve viver metade dessas substituições. E, com elas, a produtividade mundial pode aumentar de 0,8% a 1,4%.

 

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